O melhor e o pior de Paris na minha experiência

A viagem à Paris foi curtinha, mas, como sempre, conhecer lugares novos faz com que prestemos a atenção em coisas alheias à nossa realidade, à nossa rotina. Por isso, a capital francesa me deixou várias primeiras impressões (digo primeiras impressões, porque meu roteiro foi bem superficial; pretendo retornar um dia com mais calma e me aprofundar mais).

Claro que os meus sentimentos estão diretamente relacionados ao ano que eu fui, à época que visitei, ao tipo de roteiro que eu fiz, enfim, à minha experiência: uma combinação de inúmeros fatores que fizeram essas questões se destacarem aos meus olhos. Segue a lista do que mais me chocou ou mais me surpreendeu, começando pelos pontos ruins para já desabafar:

1 – A quantidade de turistas. Bem hipócrita da minha parte falar isso sendo que eu era um deles, não é mesmo? E além do mais, eu sabia de antemão que seria assim, porque né? Não dava para esperar menos de uma das cidades mais visitadas do mundo. Mas o motivo que me faz colocar isso como uma das piores coisas de Paris é: pela dificuldade de realmente curtir os lugares, já que tem sempre alguém esperando para passar por onde você está (ou te empurrando mesmo). Além de que se você não estiver bem preparado e com a sua viagem bem planejada, isso pode estragá-la. Você provavelmente vai ter que enfrentar muitas filas para visitar qualquer lugar, acabar perdendo muito tempo nisso e, até mesmo, não conseguir entrar em várias atrações por não ter mais ingresso.

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Parte da fila para subir na Catedral Notre Dame

2 – Pessoas em situação de rua. Fiquei um pouco chocada e bastante triste em ver como Paris não está conseguindo absorver os refugiados. Além de mendigos (como os que estamos acostumados a ver no Brasil), havia famílias inteiras, todos juntos, pai, mãe e crianças, em situação de rua pedindo dinheiro em vários lugares da cidade.

3 – Muitos vendedores ambulantes e pessoas pedindo doações. Em locais como embaixo da Torre Eiffel e no Musée du Louvre ficam muitos vendedores ambulantes, daqueles que se você não seguir em frente e praticamente ignorá-los, te enfiam um souvenir goela abaixo. Na Sacré-Coeur, por exemplo, vi um rapaz sendo abordado por dois vendedores que bloqueavam a passagem dele seja qual fosse o lado que ele tentasse seguir, insistindo que ele comprasse alguma coisa. Vale lembrar, que alguns pickpockets (batedores de carteira) usam dessa estratégia de abordar os turistas, quase sempre em duplas, para vender algo ou pedir dinheiro para doações (esses últimos chegam com uma prancheta). Dessa forma, enquanto um te distrai, o outro pega sua carteira. Claro que a maioria só quer realmente vender souvenir ou pedir doações, mas é bom ficar alerta!

Pickpockets
Placas de atenção aos batedores de carteira (Imagem: Duncan Hill)

4 – Sensação de falta de segurança. O fato de quase todos os lugares que eu visitei estarem muito cheios somado ao de ter placas pedindo atenção com os pickpockets em tudo que é canto: metrôs, rua e, inclusive, dentro de museus, me fizeram ficar tensa e agarrada com a minha bolsa o tempo todo. O tópico anterior também contribui para essa sensação de insegurança.

5 – Odores. Alerta de tópico polêmico (e clichê)! Nos dias em que estive em Paris fez mais de 30ºC, o que acentuou um pouco os cheirinhos desagradáveis. Além do já bastante comentado cheirinho de cecê nos metrôs, vários lugares fediam a xixi, como vários pontos das calçadas às margens do Rio Sena, por exemplo.

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Calçadas às margens do Sena

Tirando uma coisinha ou outra, sobra só amor:

1 – Conhecer alguns dos pontos turísticos mais famosos e mais visitados de todo o mundo. O primeiro ponto positivo é também o mais óbvio. A França é o país mais visitado do mundo, são 82,5 milhões de turistas estrangeiros por ano*! Só o Louvre recebe 7,3 milhões de visitantes* anualmente! Me senti extremamente grata por poder visitar tantos lugares tão conhecidos e comentados e ver como tudo funciona in loco. Além disso, a quantidade de pessoas fazendo shootings ou pre-weddings lembra o tempo todo que você está em um dos lugares mais bonitos (e mais românticos) do mundo.

2 – A preparação para receber os turistas. De modo geral, as atrações turísticas estão bastante preparadas para receber turistas de todo o mundo. Os atendentes foram simpáticos comigo e falavam ótimo inglês, -inclusive, uma atendente na Torre Montparnasse arriscou me atender em português quando soube que eu era do Brasil-. Os lugares são bem sinalizados, normalmente em francês, inglês e chinês, e você também tem áudios guias, plaquinhas e cartões de explicações em vários idiomas, em alguns lugares até mesmo em português. Por exemplo, na Sainte-Chapelle havia uns cartões em uns 6 idiomas que explicavam os vitrais, um deles português.

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Sinalização de entrada no Musée du Louvre em francês, inglês, espanhol e chinês

3 – O quanto as pessoas leem. Isso me encantou muito em Paris! Aqui em Munique também é comum as pessoas lerem no transporte público, mas em Paris era uma quantidade absurda de pessoas com livros ou e-books. Elas liam até andando enquanto mudavam de linha dentro das estações de metrô.

4 – A paz dos parques e jardins. Não que esses lugares também não estivessem cheios de gente, mas me dava uma paz ver aqueles parques e jardins lindos e as pessoas tranquilas, curtindo o sol, lendo. Sem contar que são tantos bancos e cadeiras nesses locais, que, apesar dos muitos visitantes, ainda sobram muitos vazios, o que aumenta a impressão de calmaria e contrasta com o agito e superlotação do restante dos lugares turísticos de Paris.

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Tranquilidade no Jardin des Tuileries entre o Musée du Louvre (ao fundo) e a Champs-Élysées

5 – Os museus. Imperdíveis! Arquitetura linda, acervo com obras incríveis e renomadas, organização e curadoria admiráveis. Mesmo eu não entendendo quase nada de arte, tudo superou minhas expectativas.

6 – As pessoas aproveitando a margem do rio Sena. Enquanto eu fazia o turísticão passeio de cruzeiro no Rio Sena, pude observar como os próprios moradores aproveitam Paris. Jantar e tomar um vinho à beira do Sena depois do trabalho parece ser um dos programas preferidos dos parisienses. As margens ficam cheinhas a partir das 17h30, 18h.

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Final de tarde às margens do Sena

7 – A cidade parece cenário de filme. Ruelinhas charmosas, varandas cheias de flores, prédios com arquitetura de tirar o fôlego, fachadas de lojas super fofas. O Rio Sena, as pontes maravilhosas, a Torre Eiffel, tudo dá a impressão de ter sido montado para ser cenário de romance.

Escolhendo as fotos para o post, fui relembrando de várias outras questões, como o tanto que fiquei impressionada com o tamanho do Museu do Louvre vendo ele de cima da Torre Montparnasse e a loucura que é o trânsito. Mas tentei expressar nos tópicos sobre o que foram as emoções mais fortes que eu tive e o sentimento que ficou depois de ter voltado. Apesar de alguns fatores negativos terem mexido bastante comigo, a sensação que ficou é boa e, tomadas as devidas precauções, vale um retorno! O sentimento que predomina é que Paris é encantadora!

One Reply to “O melhor e o pior de Paris na minha experiência”

  1. […] em Munique elas lerem muito, não chega nem perto de como é em Paris, por exemplo, como contei aqui nesse post. Mas que ainda se lia tanto jornal em papel quanto se lê, eu não imaginava. É bem comum pessoas […]

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