60 horas em Munique

Finalmente escrevendo sobre Munique! De todas as (poucas) cidades que visitei aqui na Europa até agora, a capital da Baviera é uma das minhas preferidas – para se viver então, a preferida de longe!

Além de ter muito o que fazer em Munique, a cidade tem uma localização estratégica, próxima ao Castelo de Neuschwanstein, Zugspitze (o pico mais alto do país), Campo de Concentração de Dachau, e até de cidades austríacas, como Innsbruck nas montanhas, Salzburg e até da capital Viena.

De acordo com a Deutsche Zentrale für Tourismus (DZT), durante o primeiro semestre de 2017, os brasileiros permaneceram apenas 2,6 dias por aqui, em média. É pouco tempo, mas aqui vai a minha sugestão de roteiro para conseguir aproveitar tudo que a cidade tem de melhor nesse tempinho!

Primeiramente, eu sugiro que você compre seu ticket para o metrô, é muito fácil se locomover pela cidade usando somente transporte público e todas as atrações desses dias serão no Innenraum e próximas a estações de metrô ou pontos de ônibus, super fácil de achar! Para entender melhor como funciona o sistema de transporte de Munique e poder decidir qual ticket comprar e como comprar, leia esse post aqui.

Dia 1 – Centro Histórico + Englischer Garten

Mesmo com pouco tempo na cidade, é difícil não notar a quantidade de padarias existentes por aqui! Para um café da manhã como um local, recomendo passar em uma delas, comprar um clássico butterring (brezel com manteiga) ou um delicioso brezel mit obazda (obazda é um patêzinho típico da Baviera, feito de queijos e temperos). Café da manhã barato, rápido e prático!

Para começar, recomendo muito o free walking tour da Sandeman’s (em inglês ou espanhol)! Fiz o tour em inglês com a guia Patty e foi incrível! Ela sabia muito sobre a história de Munique e passou as informações de uma maneira bem divertida! (Lembrando que o tour é gratuito, mas é esperado que você dê uma gorjeta! O valor varia dependendo de quanto você ficou satisfeito com o passeio.)

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Prefeitura e as duas torres da Frauenkirche ao fundo

Caso você não entenda bem inglês ou espanhol ou simplesmente não queira fazer o free walking tour, você pode passear a pé e por conta própria pelo centro histórico! Inicie o tour pela Marienplatz, onde fica grandiosa prefeitura de Munique (Rathaus em alemão), certificando-se de assistir o Glockenspiel, uma movimentação dos bonecos da torre, que acontece todos os dias às 11h e 12h (e no verão também às 17h). O que eu acho mais interessante sobre o Glockenspiel é que é movido à luz solar e em 2007 foi todo restaurado, com ajuda financeira, principalmente, de muitos moradores da cidade.

Em seguida, passe pela Igreja de Saint Peter e vá até o Viktualienmarkt, para conferir as barraquinhas com comidas e especiarias (acho as de azeitona incríveis). Volte pelo Spielzeugmuseum, onde ficava a prefeitura antiga de Munique (apesar de parecer mais nova do que a atual) e entre no pátio do Alter Hof, onde moraram, entre o século 13 a 15, os Wittelsbach, a primeira família governante da Baviera.

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Barraca de frutas no Viktualienmarkt

 

Dali vá até a Hofbräuhaus, a cervejaria mais famosa de Munique. O restaurante existe ali há quase 500 anos! Apesar disso, a cervejaria mais antiga de Munique é a Augustiner, fundada ainda no século XIV, que fica na esquina em frente à Hofbräuhaus! Apesar de ser um programa bem turistão, eu recomendo o almoço em um desses dois restaurantes. Claro que você consegue comer gastando menos, mas acho o valor bem justo para pratos típicos bávaros e para os ambientes com garçons vestidos com roupas tradicionais e bandinhas tocando músicas alemãs. Você pode conferir os cardápios das duas nos seus respectivos sites.

Depois de provar as delícias da Baviera, caminhe até a Max-Joseph-Platz, onde fica a Ópera Estatal da Baviera, e siga adiante até o bequinho Viscardigasse e o Feldherrnhalle na Odeonsplatz, importantes marcos da Alemanha nazista. Construído por Ludwig I para homenagear seu exército, era no Feldherrnhalle que se postavam recrutas da SS (Schutzstaffel, em português: Tropa de Proteção) no período do nazismo. Qualquer um que passasse por ali deveria fazer a saudação nazista. Os que não concordavam, evitavam de passar por ali cortando caminho pelo Viscardigasse, até que esse desvio foi descoberto e foram colocados recrutas ali também. Hoje, o ato dessas pessoas que confrontaram essas regras estão homenageadas com um caminho de ladrilhos dourados nesse bequinho.

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Feldherrnhalle

É também na Odeonsplatz que fica localizado o Residenz Museum, residência da família real da Baviera por quatro séculos, do início do século XVI ao início do século XX. O interior tem muito ouro, o palácio é maravilhoso por dentro, com muitos detalhes e muito luxuoso.

Ao lado da Odeonsplatz também fica a entrada para o Hofgarten, o belíssimo jardim do Residenz. E atravessando-o você chega ao Englischer Garten, o principal parque de Munique, um dos maiores parques urbanos do mundo. O primeiro post que publiquei aqui no blog foi um roteiro de como conhecer o Englischer Garten, o meu lugar preferido aqui em Munique, clique aqui para ler.

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Englischer Garten no verão

Dia 2 – Centro Histórico + Olympiapark

Comece o segundo dia pegando o tram 19 (Pasing Bf.) na Max-Weber-Platz até a Theatinerstraße. Assim, poupando as perninhas, você passa pelo Maximilianeum, edifício do parlamento estadual da Baviera, pelo Rio Isar, pelo museu Fünf Kontinente e por toda a MaximilianStraße, uma rua inteira com lojas de marcas luxuosas.

Descendo no ponto Theatinerstraße, você está praticamente atrás da Frauenkirche, a igreja dos cartões-postais de Munique! Além de contemplar a beleza dos vitrais da igreja, repare na pegada marcada no piso logo na entrada principal. A lenda diz que o arquiteto fez um pacto com o diabo (!) para que a igreja fosse rapidamente construída e para isso não poderia colocar vitrais na igreja. A pegada seria do próprio satanás e até onde ele entrou na igreja antes de perceber que ela era cheia de vitrais, já que o vitral do altar estava tampado e as colunas no interior da igreja escondem os vitrais laterais.

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Frauenkirche

Saindo dali, você está praticamente na Neuhauser Straße, o calçadão que conecta a Marienplatz à Karlsplatz. Vire à direita e caminhe até chegar ao Karlstor, um dos portões da muralha que cercava a Munique medieval. (No total, eram 4 portões, 3 ainda estão de pé, além do Karlstor, o Sendlinger Tor e o Isartor.) Nos meses mais quentes, a fonte da Karlsplatz fica cheia de crianças se refrescando, e em dezembro e janeiro, ali fica uma pista de patinação no gelo.

Volte pela Neuhauser Straße até alcançar a St. Peter Kirche. Se você gosta de fazer compras quando viaja, esse é o momento. Essa rua é cheia de lojas das mais variadas, desde marcas internacionalmente conhecidas de roupas até de souvenirs. Uma dica de algo para visitar por ali: a St. Michael Kirche. Para mim, umas das igrejas mais bonitas de Munique, e passando por fora, no meio da multidão de gente, pode passar facilmente despercebida.

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O interior da Igreja de St. Michael

Um pouco mais adiante, à sua direita, você consegue ver a torre da Igreja de St. Peter, a mais antiga de Munique. Apesar das escadas e da plataforma da torre assustarem quem tem medo de altura (eu, por exemplo), vale a pena subir os mais de 300 degraus da torre de 91 metros (e é só €3) para ter uma vista a partir do centro da cidade, com a prefeitura bem em frente!

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Vista da torre da Igreja de St. Peter

Da Igreja de St. Peter atravesse o Rindermarkt e saia na Sendlinger Straße. Aproveite a caminhada por ela, uma rua comercial para pedestres, até chegar à pequena Asamkirche. Entre e surpreenda-se com o seu interior, com os seus inúmeros detalhes, esculturas e pinturas.

Um pouco mais à frente, ainda na Sendlinger Straße, está o Sendlinger Tor, outro portão da Munique medieval. Por ali mesmo, ou na ruazinha atrás da Asamkirche, existem alguns restaurantes e cafés, para reabastecer as energias antes de seguir para a próxima atração.

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Vista da Olympiaturm no Olympiapark

A região do Olympiapark também merece um tempinho nesses dois dias. Além de ser um parque lindo, a história dele é inacreditável! (Sério, a Patty da Sandeman’s que falei lá em cima contou isso no tour, mas pesquisei mais mil vezes no Google desconfiada da veracidade do negócio, mas aparentemente é isso mesmo!) O terreno do parque era um aeroporto até 1938, ou seja, um campo plano. Mais tarde, foi utilizado pelas forças alemãs durante a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, pelo Exército dos Estados Unidos. E é aí que vem a parte que me deixa chocada: os escombros pós-guerra dessa região de Munique foram recolhidos e depositados ali. O monte de escombros tinha 100 mil m³ de detritos e 56 metros de altura e a Olympiaberg, a montanha localizada no Olympiapark, tem hoje 60 metros. Ou seja, ela é mais de 90% destroços da guerra! (Ainda tô esperando que alguém leia isso e venha me falar o quanto isso é mentira.)

Ainda no Olympiapark está a Olympiaturm, uma torre com 291m, legal para quem não tem coragem, fôlego ou condição de subir os degraus da St. Peter. A plataforma de observação fica a 190 metros, vá em um dia claro para garantir a vista de toda a cidade de Munique e dos Alpes Bávaros nevados ao fundo. A subida custa €7.

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BMW Museum

Se você gosta de carros ou, especialmente, da BMW, o BMW Welt, local que expõe alguns modelos da BMW, Mini Cooper e Rolls Royce tem a entrada gratuita e fica ali ao lado. E também o BMW Museum, entrada por €10, do outro lado da rua. Não sou a pessoa mais apaixonada por carros e achei o museu demais, como mostra a concepção dos carros e a história da empresa.

Dia 3 – Allianz Arena ou Schloss Nymphenburg

Se você ainda tiver um tempinho no terceiro dia, você pode escolher entre:

Opção 1: Allianz Arena, o estádio do Bayern de Munique, onde aconteceu o jogo de abertura da Copa de 2006. O ingresso que combina a visita do museu e do estádio custa €19 e o próprio site deles recomenda 2 horas e meia para fazer todo o passeio. Somado ao tempo de transporte até lá, 30 minutos para ir de metrô e mais 30 para voltar, partindo do centro, você vai precisar de, aproximadamente 3 horas e meia.

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Palácio de Nymphenburg no inverno

Opção 2: Palácio de Nymphenburg, a antiga residência de verão dos governantes da Baviera. O interior do palácio é muito bonito, mas, para mim, o destaque é o exterior. Em todas as épocas é maravilhoso, no verão e primavera com os jardins verdes e floridos, no outono com as folhagem das árvores seca e colorida e no inverno com neve. O jardim é gigante, e caso planeje ir nos meses mais quentes, vale caminhar por eles para ver algumas das construções por ali, como a Palmenhaus e o Apollotempel. Outro lugar que já marquei para conhecer assim que esquentar e as flores começarem a aparecer é o Botanischer Garten que fica ao lado.

Para chegar no Palácio de Nymphenburg o ideal é pegar um tram ou ônibus, porque as estações de metrô ficam a cerca de 20 minutos de caminhada. De metrô + tram, leva meia hora para chegar lá a partir da Marienplatz.

O que conhecer na região de Munique

Se você conseguir ficar mais uns dias em Munique, ainda tem muita coisa para ver, principalmente nas proximidades. Algumas dicas de bate-volta são: o Campo de Concentração de Dachau, o primeiro campo de concentração construído e que serviu de modelo para a construção dos outros; o Castelo de Neuschwanstein, que serviu de inspiração para o Castelo da Cinderela na Disney, o Zugspitze, o ponto mais alto da Alemanha, e a cidade de Garsmisch-Partenkirchen; Salzburg, cidade lindinha na Áustria onde nasceu Mozart; Innsbruck, também na Áustria e rodeada por montanhas; e Nuremberg, com um centro histórico lindo e importante na história do Nazismo. Todos a menos de 2 horas da capital da Baviera.

Munique é aquela cidade grande com vibe de cidade pequena, com um povo hospitaleiro, contradizendo a fama dos alemães.

2 Replies to “60 horas em Munique”

  1. Parabéns Carol… é muito gostoso ler os teus textos… abração… Nivaldo

    1. Obrigada, tio Nino! ❤

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