CMT – A Feira de Férias e as minhas percepções sobre o mercado turístico alemão

A realidade de eu estar tão próxima de onde acontece uma das maiores feiras de turismo do mundo fez com a minha ida fosse óbvia. Então, logo no dia de abertura, no sábado dia 13 de janeiro, visitei a CMT – A Feira de Férias, em Stuttgart.

CMT 2018 Stuttgart
Entrada da CMT em Stuttgart

Em 2018 completando 50 anos, a CMT é a maior feira de turismo para consumidor final do mundo, o que quer dizer que é focada em vendas de destinos, pacotes de viagens, transporte, hotéis, etc. diretamente aos turistas, e não aos intermediários como em outras feiras.

A sigla CMT abrevia Caravan, Mobile Freizeit, Touristik, ou seja, a feira de turismo também engloba uma parte para trailers e outra para carros, motos e outros motorizados com foco no uso para o lazer. Além disso, um dos galpões da feira (eram 10!) tinha estandes sobre “Turismo de Aventura com Caminhada ou de Bicicleta” no primeiro final de semana, e no segundo e último fim de semana sobre “Turismo de Golfe e Bem-estar” e “Cruzeiros e Viagens de Barco”.

20180209_163730
Vista de um dos pavilhões da CMT 2018

As minhas intenções com a visita eram ver quais as tendências de viagem por aqui e como o Brasil aparecia no meio disso tudo. Para isso, além de visitar a feira em si, também assisti algumas pequenas palestras de agências de viagens falando sobre alguns destinos turísticos e outras apresentações culturais.

20180208_154213
Material de divulgação para viagens ao Brasil

E aí estão as anotações que fiz durante o dia:

  1. Muitos senhores, mas principalmente, muitas famílias de casais jovens com filhos pequenos interessados em trailers. Isso me chamou muito a atenção, porque quase nenhum casal jovem sem filhos ou solteiros estavam nessa área, mas sim pessoas com idade ou situação que, no Brasil, temos culturalmente como pessoas que querem e necessitam de um pouco mais de espaço e conforto.
  2. Os idosos são bem aventureiros! Muitos interessados em viagens para lugares mais pacatos, como países ainda não muito falados e sem muita infraestrutura, por exemplo, na África.
  3. A diferença como destinos como os Estados Unidos se vendem no Brasil e aqui na Alemanha. Não vi em nenhum momento divulgação de locais como: Miami, Disney, Nova York e Las Vegas, por exemplo. Há grandes chances de eles terem mudado o marketing internacional deles para todos os países, inclusive o Brasil, e eu estar desatualizada. Mas achei muito curioso de as cidades mais faladas e preferidas dos brasileiros nem serem citados por aqui. Em vez disso, eles divulgam muito os parques naturais e desertos (inclusive, muita viagem de moto pelos desertos).
  4. Também percebi que não havia nenhum destino vendendo “festa” como acontece com Cancún ou Ibiza no Brasil. O mais próximo disso foi a Irlanda, que montou no seu estande um pub com música ao vivo.
  5. Países muito ofertados aqui são: países da África, como Namíbia, Zimbábue, Botsuana; sudeste asiático (que acho que tá em alta em todo o mundo), como Vietnã, Laos, Malásia, Sri Lanka e India; e Austrália e Nova Zelândia.
  6. Muito provavelmente pela possibilidade e facilidade de achar informações na internet e viajar autonomamente, havia pouquíssimos jovens no evento, mas nas apresentações sobre Austrália e, principalmente, sobre Nova Zelândia, eles apareceram e encheram a sala.
  7. Outra oferta bem frequente que achei interessante e diferente do que estamos acostumados no Brasil foram as de cruzeiros de rios. E faz todo o sentido se pensarmos na geografia da Europa.
  8. Os principais destinos da América Latina ofertados por aqui são: Peru e México, vendidos como um mix de rica cultura e natureza, e Argentina e Chile, principalmente pela Patagônia.
  9. Pelo menos através dos roteiros vendidos pelas agências de viagens, a Austrália, a Nova Zelândia e o Brasil são os destinos mais caros para quem viaja a partir daqui da Alemanha.
  10. O marketing dos destinos é feito baseado em mostrar sua história, cultura, natureza, animais exóticos, enfim, sua singularidade da maneira mais natural possível.
  11. Esse último tópico inclui também o Brasil, que é mostrado pelas belezas naturais, como a Floresta Amazônica, o Pantanal e a beleza das regiões costeiras, como o Rio de Janeiro, Nordeste e Santa Catarina; Foz do Iguaçu e a diversidade da nossa fauna. Esses são os aspectos mais fortes do marketing das agências de viagens para atrair a atenção ao Brasil.

(Ai que saudade que me deu do Brasil escrevendo esse último tópico! <3 )

20180208_153331
Apresentação de dança típica no estande da Hungria

Essa experiência foi bastante interessante, já que eu pude ver como o mercado turístico se comporta aqui, e o que chama a atenção dos alemães, de acordo com o direcionamento da propaganda feita pelas agências e pelas instituições turísticas de cada país.

Apesar de achar que isso não tem muito a ver com o que eu pretendo postar regularmente aqui no blog, mas também não queria manter minhas anotações e minhas impressões só para mim, então estão aí, espero que tenham agradado, mesmo àqueles que não são profissionais do mercado turístico.

Deixe uma resposta