Minha experiência estudando alemão

Apesar de vir de uma família de descendência alemã, com vários parentes que falam alemão e, inclusive eu, desde sempre, chamar meus avós de Oma e Opa e uma tia de Tante, eu sabia pouquíssimas palavras do idioma antes de pisar na Alemanha. Como eu contei nesse post aqui, a intenção não era mudar para a Alemanha, então não tive tempo de me preparar antes e estudar no Brasil. E por isso comecei a fazer aulas e estudar somente depois de chegar.

O ditado popular diz que “a vida é curta para aprender alemão”, e ao ouvir a pronúncia das palavras eu pensava em quantas dificuldades eu teria para conseguir aprender. Então o meu objetivo era chegar e fazer cursos intensivos, com aulas todos os dias, para que eu pudesse começar a falar e entender o básico o quanto antes, me ocupar sem trabalhar e também com a intenção de poder conseguir um emprego mais facilmente num futuro não tão distante.

A escolha da escola

Entre as escolas que oferecem cursos de alemão aqui em Munique já tinha ouvido falar do Goethe Institut, como a melhor de todas. Como eu fazia ideia dos valores lá, acima de €1.000 por mês, essa opção já estava descartada. Então algumas pessoas me indicaram a Volkshochschule, ou VHS, como uma das escolas com os valores mais em conta, com cursos bons. Por ser uma das escolas mais procuradas, consegui curso vago somente para um mês e meio depois da minha chegada na cidade.

Existem também outras escolas com os valores e carga horário parecidos, como a Deutschakademie. E outras, com valores entra a VHS e Goethe Institut, são a did deutsch-institut e a inlingua, por exemplo. O que já ouvi falar sobre essas outras é que o ritmo é um pouco mais acelerado do que na VHS, alguns acham isso bom, outros ruim, vai depender do seu ritmo de aprendizado, da sua facilidade em aprender idiomas e do quanto de alemão você já sabe.

Os professores

Como no colégio, a qualidade das aulas vai depender bastante do professor. Até agora, estudando na VHS por 11 meses e tendo feito 7 cursos intensivos, do A1.1 ao B1/B2 (curso intermediário entre B1.2 e B2.1), tive só uma professora que achei péssima e não indicaria a ninguém. É preciso analisar as suas técnicas de aprendizado e o modo como os professores passam o conteúdo e conduzem as aulas para ver que tipo de educador é melhor para você. Alguns professores acabam focando bastante na parte gramatical e deixam pouco tempo para os alunos falarem, outros focam na conversação, outros são bem rígidos com a pronúncia. Mas poucos são aqueles que conseguem organizar as aulas de uma maneira que tudo fique bem balanceado, por isso é bom você já saber o que você precisa trabalhar mais e analisar o seu professor.

Colegas de classe

A turma também vai ditar bastante o ritmo das aulas, por isso é bom se dedicar em aprender, fazer as tarefas e se esforçar, para não atrasar o decorrer das aulas e o seu próprio aprendizado.

Também sabemos que o Brasil é grande e tem brasileiros em tudo quanto é canto do mundo, então em algum momento terá pelo menos um brasileiro na sua classe (mas já se prepare para encontrar até mais). É inevitável conversar em português com eles, fazer amizade com alguém que fala o mesmo idioma que você e vem da mesma cultura, mas o ideal é alimentar curiosidade pela cultura e pelas pessoas de outros países também e tentar puxar conversa com todos, e assim já ir treinando o alemão. Eu falei aqui nesse post de técnicas que eu uso para ajudar no meu processo de aprendizado do idioma, sobre o grupo de conversação com as minhas colegas latinas (brasileiras, mexicana e colombiana) onde pudemos praticar um pouco o alemão mesmo conseguindo nos entender nos nossos próprios idiomas.

Sobre alemão ser o seu primeiro idioma, além da língua materna

Já ouvi muito que saber inglês ajuda no aprendizado do alemão. Na minha opinião, existem vantagens em saber e vantagens em não saber. Quando você já sabe você consegue relacionar a lógica da gramática e a similaridade das palavras com mais de um idioma, você acaba entendendo o conceito mais rápido por isso, e também porque quando a sentido da palavra é muito difícil de entender os professores acabam falando a tradução em inglês. Mas se você só sabe falar português, não se desespere! É possível sim fazer as aulas mesmo assim. Os professores, mesmo nos níveis iniciais, tentam falar somente o alemão, mesmo ninguém sabendo nada ainda. Para explicar o conteúdo eles utilizam muito mímicas, desenhos e sinônimos, que às vezes acabam sendo parecidos com alguma palavra no português devido à origem do latim. É muito doido esse começo, quando você passa horas do seu dia ouvindo alemão e entendendo o que a pessoa quer comunicar e, muitas vezes, conseguindo conversar com os colegas em alemão, mesmo com um vocabulário com pouquíssimas palavras.

Sobre as similaridades entre o português e o alemão

Tirando uma coisinha ou outra, eu percebo que quem fala português normalmente tem mais facilidade com a pronúncia do alemão do que outros idiomas, como falantes nativos de inglês ou idiomas asiáticos, por exemplo. O alfabeto tem sons bem parecidos e, como eu disse acima, tem muitas palavras parecidas ou até iguais, já que os dois idiomas contém muitas palavras derivadas do latim e do grego.

Claro que ainda assim, a pronúncia do alemão é um pouco difícil e às vezes dá uma travada para falar, mas só a prática vai fazer com que nossa memória muscular grave como reproduzir os sons corretamente e aprenda de vez.

Sobre estudar um idioma intensamente durante um ano

Depois de quase um ano imersa no idioma no dia-a-dia e de cursos intensivos com 3 horas de aulas diariamente de segunda a sexta, às vezes eu sinto que há alguns níveis eu conseguia me comunicar melhor e que aprender muito vocabulário tão rápido mais me confundia do que era bom para o meu aprendizado. Eu sentia que já estava deixando muita coisa para trás, não conseguindo absorver no alemão que eu utilizava na minha rotina e por isso acabava por esquecer.

E é por isso que, para mim, uma das coisas mais importantes a se fazer é se analisar, reconhecer o problema que está atrapalhando seu aprendizado e ver o que pode ser melhor para resolvê-lo. Eu percebi que precisava conversar mais, para melhorar minha espontaneidade ao falar, porque eu demoro muito tempo para formar as frases, pensando se a gramática vai sair correta.

Cada um tem seu estilo de aprendizagem, que vai muito de acordo com a sua própria personalidade. É importante começar consciente de que aprender um novo idioma vai te trazer desafios, vai ser muito difícil e você vai ter que se colocar em situações desconfortáveis inúmeras vezes até falar bem e com segurança. Paciência, uma hora a gente chega lá!

4 Replies to “Minha experiência estudando alemão”

  1. Roseli Maria Klein says: Responder

    Lindo e gostoso de ler, como sempre. Fascinante, eu diria.

  2. Oi Carolina,
    Cara, teu texto me deu muita ajuda, estive em Fürstenfeldbruck, arredores de Munique, mês passado, e minha madrinha que vive aí, me convidou para ficar estudando e voltei pro Brasil sem parar de pensar nisso. Ela estudou em uma VHS a 20 anos atrás e me recomendou, pois bem.
    Minha pergunta pra ti é, se os cursos são de em média 2 a 3 meses como eu consigo um visto com eles? Claro se vc souber responder.

    Desde já muito obrigado!

    1. Oi Helton! Fico muito feliz por ter ajudado e que vir pra cá tenha te inspirado a voltar e estudar alemao. Entao, meu visto é outro, mas sei alguma coisinha sobre visto de estudante de idiomas. O curso pra retirar o visto precisa ser intensivo (tem um requisito mínimo de horas, que só o intensivo atende), isso significa que voce precisaria se inscrever nos cursos de duracao de 5 semanas, ou seja, completaria um nível nesse período. Voce pode se informar melhor aqui nesse pdf do Consulado da Alemanha no Brasil: https://brasil.diplo.de/blob/1051462/9d9d98632ff3cce95c0ca254f81a667f/merkblatt-sprachkursvisum-pt-data.pdf. 🙂
      Ich wünsche dir viel Glück!

  3. […] interessado em aprender, certo? Eu já falei um pouco sobre a minha experiência estudando alemão aqui nesse post, onde citei também sobre algumas escolas. Aprender um novo idioma é difícil e bem […]

Deixe uma resposta