Dicas para ver a Aurora Boreal (minha experiência na Islândia)

A viagem para a Islândia foi marcada por paisagens incríveis e experiências inesquecíveis, entre elas, ver a Aurora Boreal. Por ser um fenômeno que acontece só em pouquíssimos lugares do planeta, em épocas específicas do ano e depende de vários outros fatores, acabou sendo o que mais despertou curiosidade.

Apesar da dificuldade de vê-la, ela apareceu em duas noites da nossa viagem de 5 dias pelo sul da Islândia! E é por isso que resolvi compartilhar de maneira bem sucinta o que aprendi com as minhas pesquisas antes de ir, nos museus islandeses e com a nossa própria experiência.

A Aurora Boreal do segundo dia! Forte e no céu inteirinho!

O que é e como acontece

Tudo começa no Sol, que ferve e borbulha causando pequenas explosões, de onde escapam partículas de plasma, conhecidas como ventos solares (é bem provável você esbarre em previsões de vento ou atividade solar durante a sua pesquisa). Essas partículas demoram 40 horas para chegar à Terra e normalmente são desviadas pelo seu campo magnético. Quando conseguem ultrapassá-lo são atraídas pelos polos magnéticos e misturam-se com os gases presentes na atmosfera, como nitrogênio e oxigênio, formando a luzes das Auroras.

As cores das auroras dependem também do gás com que essas partículas se misturam. Se colidem com oxigênio, as luzes são amarelas e verdes, se colidem com nitrogênio, são vermelho, roxo ou azul. A cor da Aurora também depende de outros fatores, como a latitude.

Aurora Boreal e Aurora Austral

Portanto, auroras podem se formar tanto no pólo norte quanto no pólo sul do planeta. No norte é chamada de Aurora Boreal e no sul de Aurora Austral. A primeira é mais conhecida simplesmente porque o pólo norte é mais habitado. A Aurora Austral pode ser vista às vezes no sul do Chile e Argentina, na região da Patagônia, no sul da Nova Zelândia e na Tasmânia.

A primeira foto do segundo dia. Vocês também conseguem ver uma parte avermelhada?

Onde e quando ver a Aurora Boreal

É possível vê-la do Alaska, norte do Canadá e Groenlândia, na América, Noruega, Suécia, Finlândia e Islândia aqui na Europa, e Rússia, na Ásia. A escolha do país vai depender do quanto você está disposto a se afastar da civilização, já que a latitude na qual ela aparece tem temperaturas geladas, invernos bem escuros e verões com luz durante 24 horas por dia, dificultando a vida nesses lugares.

Para ver a Aurora Boreal é preciso estar bem escuro, portanto nos meses de setembro a abril, quando a noite é escura. Vi muitos sites excluírem os meses de dezembro e janeiro, porque são muito frios para sair à procura do fenômeno durante a noite e é quando o tempo tende a ser mais nebuloso.

Também li sobre o melhor horário ser entre 22h e 2h e, apesar de eu não ter achado nenhuma explicação científica para isso, de fato as duas noites que vimos, foram entre as 23h e 1h.

Ciclo Solar

Esse fator na verdade não interfere no fato de você conseguir ver ou não a aurora. Mas as pequenas explosões no Sol e toda a atividade da estrela, passam por um ciclo, que dura aproximadamente 11 anos. O último pico foi em 2013, o que faz com que o próximo seja em 2024, e o que nos situa agora no ano de menor atividade solar. Mas ainda assim a Aurora aparece e muitas vezes pode ser bem forte. Ou seja, não se preocupe muito com esse dado. Resolvi colocá-lo aqui, porque antes de ir li em alguns sites sobre isso, sobre como é praticamente impossível ver a Aurora nos anos de atividade mínima e que se deve esperar os anos de pico (ou seja, mais 5 anos) para procurar vê-la bem linda. Não desanime!

Índice KP

É a escala de atividade magnética e varia de 0 a 9. Quando o índice KP é 0, a atividade magnética é bem baixa, portanto a aurora será bem fraca ou inexistente, e quando ele é 9 a aurora provavelmente estará muito forte.

Dependendo da latitude do país que você está é necessário um determinado de índice KP para ser possível ver a Aurora. Quanto mais próximo aos pólos, menos o índice.

O índice KP necessário para ver a Aurora em cada latitude. Fonte: Service-Aurora.

Apesar de esse ser o índice mais importante sobre a probabilidade de ver a Aurora Boreal, existem ainda pouquíssimos satélites no espaço que controlam a atividade magnética, portanto, é um índice dificílimo de ser previsto.

Não se atente tanto à previsão, mas baixe o app! Ele avisa quando do nada o Índice está lá em cima e há grande possibilidade de haver uma Aurora lá fora.

Nuvens

Parece óbvio, né? A altura da Aurora é mais alta do que a altura das nuvens, o que significa que se o céu estiver encoberto não vai ser possível observá-la. A boa notícia é que esse é um fato mais fácil de ser previsto, apesar de o tempo mudar muito na Islândia, existem inúmeros sites e aplicativos que mostram a situação atual e nas próximas horas, como o Vedur.

Poluição luminosa

É assim com as estrelas, é assim com as auroras. Se você estiver em uma cidade grande, ou algum lugar com muita luz, fica difícil de conseguir ver as luzes das estrelas e da Aurora Boreal no céu. Portanto, uma das minhas dicas principais seria: procure hospedar-se em lugares mais remotos, em vez de em cidades. Dessa forma, você já tem mais chance de vê-las sem precisar se deslocar por muito tempo no escuro e no frio.

Os locais onde vimos a Aurora Boreal na Islândia: nos limites das cidades de Selfoss e Höfn.

Eu também decidi ir em uma semana de lua nova para que as chances fossem maiores, já que até a luz da lua cheia pode atrapalhar quando a Aurora está fraca. Se a Aurora estiver forte quando a lua estiver cheia, você consegue vê-la junto com a lua, também pode ser uma experiência maravilhosa.

Outra coisa é acostumar seus olhos com a escuridão. Se você está num ponto com postes, olhando muito o celular ou para outras telas, você olha para o céu e não vê nada. Procure apagar todas as luzes a sua volta e pare uns minutos olhando para o céu para procurá-la.

Sorte

Sim, e por que não? Sendo o índice KP o fator mais próximo de realmente ser uma previsão da Aurora e sendo que é extremamente difícil de prevê-lo, é importante estar sempre ligado nos aplicativos, na conversa dos outros turistas e no céu. A previsão do índice KP pode dizer uma coisa e em segundos mudar possibilitando que você veja a Aurora.

Nós, a Aurora e o nosso hostel em Höfn.

Nossa experiência

Nós resolvemos ir para a Islândia como comemoração para o meu aniversário de 30 anos, mas no dia do meu aniversário, dia 17 de fevereiro, seria lua cheia. Como eu tinha lido sobre diminuir a possibilidade de ver a Aurora devido à quantidade de luz, resolvemos mudar a data para quando a lua estivesse em fase nova e adiantamos para os dias 30 de janeiro a 4 de fevereiro (e ainda dizem que dá azar comemorar o aniversário antes da data!).

Montei o nosso roteiro e reservei hotéis que ficavam entre uma cidade e outra, pela estrada (afinal de contas, nem são as cidades o maior atrativo na Islândia mesmo!). Nossas primeiras 3 noites seriam em lugares mais remotos ou cidades menores e as duas últimas em Reykjavik, capital do país. Concordamos em não contratar nenhum tour e tentar ver a Aurora Boreal por contra própria nas três primeiras noites e, se não conseguíssemos, contrataríamos um tour a partir de Reykjavík, já que as chances de ver a Aurora da capital são mínimas, devido às luzes.

A Aurora fraquinha da primeira noite (e meu talento fotográfico deixando muito a desejar).

Na primeira noite, olhei o aplicativo antes de dormir e, apesar do céu claro, o índice KP estava em 2, baixo, então fui dormir. Meu marido ficou no celular por mais um tempo e resolveu olhar pela janela antes de dormir, era pouco depois da meia noite. E lá estava ela! Bem fraquinha, nos deixou na dúvida se era a Aurora mesmo ou não. Tinha lido que quando ela está bem fraca, a câmera captura melhor do que a gente consegue ver a olho nu. Então tirei uma foto e comprovei: ela saiu bem verdinha na câmera. Nos trocamos e fomos para fora da Guesthouse. Ela estava realmente bem fraca, como uma nuvem, só em uma partezinha pequena do céu e não conseguíamos vê-la verde a olho nu. Mas já ficamos muito felizes! Nossa primeira noite e ela já apareceu!

Na segunda noite nos hospedamos nos limites da cidade de Höfn. O aplicativo também dizia que aquela noite o índice KP seria 2, apesar de o céu novamente estar todinho livre de nuvens. Lá por 23:30 ouvimos muita agitação no hostel, olhamos para fora da janela e os hóspedes estavam lá fora num morro ao lado do hostel, tirando fotos. Lá estava ela de novo! Nesse dia ela apareceu muito forte, no céu inteiro, bem verdinha. Ficamos bastante tempo lá fora observando, vendo ela mudar lentamente de forma, dançando.

Prometo que as fotos da próxima Aurora já ficarão muito melhores!

A previsão de nuvens durante a noite durante toda a nossa estadia na Islândia era excelente, todas a noites de céu claro, exceto a última. O aplicativo mostrava o índice KP 2 na quarta e quinta-feira (as duas noites que a vimos) e entre 4 e 5 (forte) na sexta-feira, quando estávamos em um hostel também em um local mais remoto, mas ela não apareceu.

Enfim, as noites em Reykjavík foram para descansar e decidimos não contratar tour de caça à Aurora Boreal e nem ficar mais ligados no aplicativo. Ver esse fenômeno tão difícil de prever foi a cereja do bolo (de aniversário, no meu caso) e o complemento perfeito de tudo que esse país incrível tem para mostrar.

Quem aí já conseguiu ver alguma das Auroras? Como foram as experiências de vocês observando ou caçando esse fenômeno?

One Reply to “Dicas para ver a Aurora Boreal (minha experiência na Islândia)”

  1. […] Você pode clicar aqui para baixar a versão resumida do roteiro em pdf, com os links para o Google Maps dos trajetos de cada dia. Eu também já escrevi outro post sobre a minha experiência vendo a Aurora Boreal no país, você pode lê-lo clicando aqui. […]

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