Japão – dicas básicas para a sua viagem

Apesar de pequeno, o Japão não é um país para se conhecer em poucos dias. Somente a sua capital, Tóquio, já é tão diversa e oferece tantas atrações que poderiam ser gastas semanas só ali. Com a mesma intensidade que eu sempre tive vontade de conhecer de perto as tradições japonesas e os templos budistas e xintoístas, também estava muito curiosa sobre as cidades com arranha-céus e sobre a tecnologia japonesa e como ela é utilizada no dia a dia.

Nascida e criada no Brasil, na cultura ocidental, eu estava ansiosa para ver um país do outro lado do mundo e perceber como e quanto as pessoas são diferentes. Inclusive, o jeitinho do japonês foi uma das coisas que mais me impressionou, o que me fez pesquisar um pouco mais sobre a sua cultura e escrever esse texto aqui. Além disso, meu marido (e melhor acompanhante de viagens) é fascinado por tecnologia e cultura pop.

Era muita coisa para considerar e colocar em um roteiro de 13 dias e provavelmente essa seja sua primeira dificuldade quando decidir organizar sua viagem ao Japão. Por isso eu vou compartilhar aqui a minha experiência.

Esse post vai dar informações básicas, mas importantes, que você deve saber antes de começar a planejar sua viagem. O roteiro completo vem em posts seguintes.

Osaka, minha cidade preferida da trip.

Como escolher quais cidades e o quê visitar

A primeira dica que eu dou é: antes de começar a montar seu roteiro, tome consciência de que você não vai conseguir conhecer tudo, você vai ter que deixar muita coisa de fora se quiser realmente aproveitar a sua viagem. Ainda mais considerando que você precisa se acostumar com um fuso horário de 12 horas de diferença do Brasil (ou 6h-7h se você viaja aqui da Europa).

Nós decidimos fazer o basicão, já com a intenção de voltar no futuro para conhecer outros pontos menos turisticamente conhecidos.

Escolhemos duas cidades-base: Tóquio e Quioto e faríamos duas viagens de um dia: ao Monte Fuji a partir da primeira e Osaka a partir da segunda. No post com os detalhes do meu roteiro, vou incluir o que errei, o que não faria de novo e o que colocaria no lugar para aproveitar melhor a viagem.

O Monte Fuji emoldurado pelas flores da cerejeira.

Quando ir?

O Japão, assim como a Europa, tem as estações bem marcadas, então a escolha de quando ir é sua, pois depende das atividades que você quer fazer e das paisagens que quer ver.

O inverno tem neve, o verão é bem quente, a primavera muito florida e o outono oferece paisagens com folhagens coloridas em amarelo e laranja. Além disso, outro fator a se considerar são grandes feriados nacionais, quando o fluxo de turistas é grande e pode tornar sua viagem um pouco mais cansativa.

Os principais e maiores feriados no país são: o feriado de ano novo, do fim de Dezembro a início de Janeiro; a Golden Week, do fim de Abril a início de Maio; e o Obon (dia dos mortos) em meados de agosto.

Minha viagem foi do dia 18 de Abril a 2 de Maio, pegando bem a Golden Week na última semana. Com bom planejamento, minha experiência foi boa, não deixamos de fazer nada por não conseguirmos ingresso ou qualquer coisa do tipo. Mas se decidir visitar o país em um desses feriados, tenha em mente que planejar-se é essencial. Compre seus ingressos com antecedência, reserve seus assentos nos trens e chegue com antecedência nos lugares.

Minha sugestão seria visitar o Japão no outono, com temperaturas amenas e com a maravilhosa folhagem colorida do outono, ou então na primavera, tentando pegar a época das cerejeiras.

Quanto a elas, é bem difícil de prever com antecedência quais os melhores dias para vê-las. A época provável é na segunda metade do mês de Abril (por isso que planejei minha viagem para essa época, inclusive), mas tudo depende do clima do ano.

Esse ano as temperaturas começaram a ficar mais quentes um pouco mais cedo, o que adiantou o florescimento das árvores, que tiveram seu ponto alto uma semana antes de chegarmos lá. Por sorte, nos primeiros dias da viagem ainda conseguimos ver o finalzinho da época delas, como durante a nossa trip ao Monte Fuji!

Fushimi Inari: o lugar mais visitado no Japão em 2018!

Visto

Aos brasileiros o visto de turista é requisitado, mas o processo é bem simples. Você precisa reunir todos os documentos e entregá-los no consulado ou embaixada japonesa mais próximo a você. Os documentos necessários são:

  • Passaporte
  • 1 foto 4,5×4,5 ou 3×4 recente
  • Cópia da identidade (para quem mora fora do país, levar os papéis que comprovem a residência fora do Brasil, por exemplo o visto de residência no próprio passaporte)
  • Comprovantes de renda (imposto de renda e extratos bancários dos últimos 3 meses. Para dependentes os comprovantes do financiador da viagem e um documento que comprove sua relação familiar com essa pessoa);
  • Cópia da reserva dos voos;
  • Reserva dos hotéis (ou uma carta convite, caso fique na casa de amigos ou família);
  • Formulário com a programação da viagem preenchido (para quem mora no Brasil aqui, quem mora na Alemanha aqui)
  • Formulário de aplicação para o visto preenchido (para quem mora no Brasil aqui, para quem mora na Alemanha aqui)
  • Pagamento da taxa (no Brasil R$188,00, aqui na Alemanha 30€)

Veja todos os requisitos para esse e outros tipos de visto aqui. Para quem mora na Alemanha, veja aqui os requisitos para os vistos.

Depois de entregues os documentos, o visto leva em torno de 5 a 8 dias úteis para sair. A partir da data de emissão do visto, você terá três meses para entrar no Japão, ou seja, não adianta fazer a solicitação do visto muito tempo antes da viagem.

Como se virar sem saber japonês?

É verdade que os japoneses falam pouco inglês, então falar ou não o idioma não deve ser um fator decisivo para a sua viagem. O povo japonês é extremamente prestativo, então vão tentar compreender e ajudar de alguma maneira.

Demonstre respeito e aprenda algumas palavras chaves em japonês, como konnichiwa (oi), gomennasai (desculpe), sumimasen (com licença), arigatou gozaimasu (muito obrigada) e ohayou gozaimasu (bom dia).

No mais, tente se comunicar em inglês ou recorra para mímicas ou app de tradução (precisei usar algumas vezes). No fim, tudo vai dar certo.

Os espaçosos Shinkansen, trens balas inclusos no JR Pass.

JR Pass e Pocket Wi-Fi

Logo que os nossos vistos chegaram, contratamos os passes de trem e a internet. O JR Pass é um passe somente para turistas, válido em todo o Japão. Como existem diversas empresas que operam os trens e metrôs no país, é preciso se informar quais são os transportes nos quais você pode utilizá-lo.

No nosso caso, tivemos que comprar passes extras nos dias em Quioto, já que lá o JR Pass tem pouquíssimas linhas e a locomoção é praticamente toda de ônibus, e em alguns pontos de Tóquio. Em todos os outros dias, inclusive para as viagens entre as cidades, utilizamos nosso JR Pass.

A dica para essas viagens mais longas dentro do país é ir até um escritório da JR (fica nas principais estações de metrô) e reservar os assentos. Os trajetos são longos e, em alguns deles, a empresa nem permite que as pessoas viajem de pé. Se possível, tente reservar com uns 2 ou 3 dias de antecedência para garantir lugar no horário que for melhor para o seu roteiro.

Dependendo dos seus planos no Japão, talvez a compra do JR Pass não valha a pena. Você pode checar nesse site.

Sobre a Pocket Wi-Fi: achei incrível e acho que mais países deveriam oferecer essa opção. Não há necessidade de comprar um chip de uma operadora japonesa, é só alugar esse modem, que cabe no bolso e que atende até 10 celulares (não sei como fica a qualidade da internet quando está conectado a 10 aparelhos. Nós usamos com dois celular e funcionou muito bem durante todos os dias. Algumas vezes aconteceu de cair o sinal e ele voltava somente quando reiniciávamos o modem, mas na maioria do tempo funcionou super bem.) A única desvantagem é que se vocês se separam, somente àqueles que ficaram com o modem vão continuar com internet.

Nós compramos pelo site da Japan Rail Pass os dois juntos, JR Pass e WiFi Pocket. Como moramos na Alemanha, eles vieram da Espanha e os vouchers chegaram em menos de uma semana, super rápido!

Na hora de chegar no aeroporto no Japão você precisa trocar o voucher que você recebe em casa pelo JR Pass no escritório da JR. Nós chegamos no Aeroporto de Haneda e retiramos os passes na East Japan Railway Company (escritório da JR no local). Como o escritório é pequeno, a fila estava bem grande, por isso levamos pouco mais de 2 horas só para isso. Portanto, já considere essa demora no seu planejamento.

Em outro balcão, ainda no aeroporto, retiramos nossa internet de bolso (dessa vez sem fila). Junto com ela vem um cartãozinho com as instruções de como fazê-la funcionar. É bem simples.

Meu quarto cápsula no J-SHIP Osaka Namba.

Onde ficar

Em primeiro lugar, é importante dizer que hospedagem no Japão é bem diferente. E não é só pela privada tecnológica, não. Os quartos costumam ser bem menores do que estamos acostumados, esse é o padrão. Isso quer dizer que para conseguir um quarto no tamanho normal de quarto de hotel para nós, ocidentais, será preciso desembolsar mais dinheiro.

Para quem quer a experiência japonesa completa, e está disposto a pagar um tanto a mais por isso, sugiro alugar um ryokan, as casas típicas japonesas, que têm o chão de tatami.

De qualquer forma, para otimizar seu tempo e economizar sua disposição, sempre sugiro um local perto a pontos de ônibus, estações de metrô ou de trem, se você está planejando circular de transporte público. No caso da maioria dos turistas que vão ao Japão, e acabam comprando o JR Pass, uma hospedagem próxima a uma estação da JR é o ideal.

Eu me hospedei em quatro acomodações nos treze dias que fiquei por lá: dois hotéis em Tóquio e um hotel cápsula em Osaka, reservados pelo Booking, e um apartamento reservado pelo AirBnb.

Vou sugerir aqui os que achei que valeram a pena e explicar o porquê. Você pode reservar esses ou outros hotéis por esse link para ganhar R$50 de desconto.

Tóquio: Comfort Hotel Tokyo Kanda

O hotel fica bem locallizado no bairro de Kanda, 5 minutos andando da estação da JR Kanda. Ao redor vários restaurantes, lojas de conveniências e lojas. O quarto é pequeno (padrão japonês), mas confortável, com espaço pelo menos para abrir duas malas grandes no chão. Os funcionários são muito atenciosos e o café da manhã é maravilhoso, com opções típicas japonesas (leia-se: o que comeríamos em um almoço, como sopas, couscous, até curry!) e opções que agradam também os ocidentais, como pão e ovo mexido, por exemplo.

Osaka: Hotel J-Ship Osaka Namba

Eu recomendo MUITO esse hotel cápsula de Osaka. Se você já gosta de hostels ou está disposto a experimentar esse modelo de hotel muito comum no Japão, essa é uma excelente opção! Hotéis cápsulas são hotéis com quartos compartilhados, mas em vez de beliches, você dorme em uma cápsula. Você tem um pouco mais de espaço do que em um beliche e muito mais privacidade! Além do mais, a estrutura do hotel é incrível, os banheiros tem onsen (banheiras de água termal), secador de cabelo, baby liss, giletes e escovas de cabelo descartáveis, pijamas, um locker espaçoso, entre outros amenities. Existem andares somente para mulheres e somente para homens e o andar das mulheres só pode ser acessado com o cartão dado para as hóspedes no momento do check-in.

Ah, e o J-SHIP fica colado à estação de JR Namba, a 100 metros da South Exit (saída sul).

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Ramen vegetariano no Peace, em Kawaguchiko.

Onde comer

Uma das primeiras coisas que você vai perceber ao chegar no Japão é: quanto restaurante! E a segunda é: como os restaurantes são pequenos! Um país tão populoso com restaurantes tão pequenos, mas que para compensar oferece um restaurante ao lado do outro. Só em Tóquio são mais de 160 mil estabelecimentos gastronômicos.

Mesmo se você não está disposto a experimentar culinária japonesa, existem redes de fast food conhecidas no Brasil, além de restaurantes com comida típica de outros países, como italiano, por exemplo (e tem alguém que não goste de comida italiana?).

Caso você tenha pesquisado algum restaurante específico, eu sugiro fazer a reserva. Veja se há possibilidade de reservar pela internet ou peça para os recepcionistas do hotel, sempre dispostos a ajudar. Como falei, os restaurantes são pequenos e os japoneses adoram comer fora, então a chance de você não conseguir lugar chegando espontaneamente é grande.

Para os vegetarianos e veganos, a notícia é triste: é muito difícil de achar estabelecimentos que oferecem qualquer coisinha no cardápio que se encaixa nessas opções alimentares. Esse foi um motivo de estresse para mim nos primeiros dias (sou vegetariana), porque demorava muito tempo para encontrar um lugar com algo que eu pudesse comer.

Até que eu lembrei do site Happy Cow, que registra os estabelecimentos vegetarian friendly, vegetarianos e veganos pelo mundo. Dessa forma, na noite anterior no hotel, eu abria o mapa do lugar que visitaríamos no dia seguinte, dava uma olhada nas opções e já planejava onde parar para comer. E assim funcionou pelo resto da viagem.

Aqui vão algumas sugestões de lugares vegetarianos que serviam comida japonesa que encontrei no Happy Cow e que se destacaram:

  • Peace em Kawaguchiko – no dia do passeio ao Monte Fuji, almoçamos em um restaurante chamado Peace, de um hostel de mesmo nome. O restaurante tem opção de Ramen vegetariano em um ambiente descontraído com vista para o lago. Meus amigos não vegetarianos também ficaram satisfeitos com o lugar.
  • Chabuton em Osaka – no oitavo andar da loja Yodobashi-Umeda, em frente à Osaka Station, fica o Chabuton, que proporcionou uma das melhores refeições vegetarianas da viagem. Ramen e guioza de vegetais! Foi o único lugar que comi guiozas, porque não as encontrei na opção vegetariana em nenhum outro lugar durante a viagem. (Escrevendo o post, descobri que o Chabuton tem filial em Kyoto também, mas não sei se o cardápio é o mesmo).
  • Kyotofu em Quioto – a cidade é conhecida pelo seu tofu, então encontramos um restaurante especializado, o Kyotofu. Todos os pratos do cardápio levam o ingrediente, preparado de diversas formas. O tofu no Japão é diferente do que eu já tinha comido no Brasil ou na Alemanha, ele é mais macio, vale a pena provar (várias vezes!). O restaurante fica no 11° andar do prédio da Kyoto Station, com vista para a cidade.

Outras dicas

Os japoneses tem uma questão muito forte com etiqueta e boas maneiras. É claro que é impossível, e até desnecessário, você saber sobre tudo, mas aqui vai o básico para se virar nos seus dias de turismo pelo país:

  • Não fale ou fale muito baixo dentro dos metrôs e trens;
  • Não coma andando;
  • Não assoe o nariz em público (principalmente para quem mora aqui na Alemanha e já pegou esse costume);
  • Fique atento ao entrar em algum lugar se é necessário tirar os calçados. Na maioria dos lugares é preciso tirá-los;
  • Não há dress code para os templos, mas as japonesas, no geral, usam saias curtas, mas raramente decotes. Caso você use uma blusinha mais aberta em cima, não se espante de atrair olhares, para eles isso é diferente e bem ocidental.

Lembre-se, você é o visitante no país deles, então observe e tente ser o mais respeitoso possível. A cultura é muito diferente da nossa, então é natural cometer alguma gafe e eles sabem disso, mas estar preparado e atento também demonstra respeito.

E aí, preparados para visitar o Japão?

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