Roteiro: 3 dias em Budapeste

São 8 horas e meia de ônibus de Munique até a capital da Hungria. Apesar de cansativa, super valeu a pena pela promoção barateza da Flixbus! Foram 3 dias e 3 noites conhecendo Budapeste, a cidade pela qual comecei a me encantar enquanto fazia minhas pesquisas para a montagem do nosso roteiro, e que conseguiu me surpreender in loco!

Como a previsão era de dias muito frios, com muitos períodos de chuva, planejei a viagem de maneira que conhecêssemos os principais pontos turísticos, deixando de fora atrações que não faziam muito sentido conhecer durante o inverno, como parques. A viagem longa de ônibus e o fato de que gostaríamos de aproveitar as noites com o nosso amigo que está morando lá, também fizeram do roteiro durante o dia um pouco mais enxuto.

DIA 1 – TARDE

Parlamento Húngaro

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O maravilhoso Parlamento Húngaro.

Começamos pelo prédio que é a imagem de Budapeste: o Parlamento Húngaro! O maior edifício da Hungria e o terceiro maior parlamento do mundo fica às margens do Danúbio e tem mais de 100 anos. É possível fazer um tour guiado, com duração de mais ou menos 45 minutos.

Nós preferimos admirá-lo somente de fora, principalmente a partir do outro lado do rio, bem na saída da estação Batthyány tér da linha M2. (Foi lá também que já me impressionei com a pouca quantidade de turistas na cidade!)

Shoes on the Danube Bank

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Monumento aos judeus à beira do Rio Danúbio.

No mesmo lado do rio onde fica o Parlamento (e bem próximo a ele), está o memorial aos judeus vítimas do Holocausto entre 1944 e 1945. Eles eram enfileirados ali na beira do rio, baleados e seus corpos caíam no Danúbio. Antes de serem mortos, precisavam tirar seus sapatos, já que esse era um bem valioso na época.

Chain Bridge

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Chain Bridge e o Castelo de Buda ao fundo.

Em 10 minutinhos de caminhada (muito bem aproveitados com vista para a ponte e o Castelo de Buda) alcançamos a Chain Bridge, a primeira ponte permanente que foi construída para ligar as duas partes da cidade divididas pelo Rio Danúbio, chamadas de Buda (lado oeste) e Peste (lado leste).

Antes da sua construção, havia uma ponte flutuante que permitia a travessia do rio da primavera ao outono e, durante o inverno, ele congelava e possibilitava a passagem. Em alguns casos, uma mudança brusca de temperatura, o descongelava e as pessoas ficavam presas de um lado, sem ter como atravessar de volta. Depois dessa situação ocorrer ao Conde István Széchenyi e ele ter que esperar 10 dias para ir ao funeral de seu pai, ele resolveu iniciar a construção da ponte permanente, cujo nome húngaro é Széchenyi Lánchid.

Uma curiosidade é que existe uma ponte praticamente igual, mas em escala menor, projeto do mesmo desenhista da Chain Bridge, o inglês William Clark, em Marlow na Inglaterra: a Marlow Bridge.

Sorveteria Gelarto Rosa

Apesar do frio de 1ºC, fomos experimentar o famoso sorvete em forma de rosa da gelateria na própria praça da Basílica de Santo Estevão, nosso próximo ponto.

Basílica de Santo Estevão

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A Basílica de Santo Estevão.

A Basílica de Santo Estevão, ou Catedral de Budapeste, é a maior igreja da cidade. A altura de sua cúpula é de 96 metros, a mesma do Parlamento Húngaro, o que simboliza o equilíbrio entre igreja e Estado na Hungria. De acordo com a legislação, nenhum outro edifício da cidade pode ser mais alto. A entrada na igreja é cobrada, uma “doação” obrigatória de HUF200 (aproximadamente R$2.60 ou €0,65).

A catedral é muito bonita por dentro e vale muito a pena comprar o ticket para subir e rodear a cúpula, vendo Budapeste de cima!

Acostumada a não precisar pagar para entrar em igrejas e depois de ler sobre a entrada ser gratuita nos sites oficiais de turismo da cidade e da própria igreja, confesso que me decepcionei um pouco com a caixinha de doação na entrada com um segurança ao lado conferindo se todos estavam pagando (e cobrando àqueles que tentavam ignorar a placa). Também li muito sobre a mão direita mumificada do patrono da igreja, Santo Estevão, o primeiro rei da Hungria, que está disposta em uma caixa dentro da igreja, mas que você precisa colocar uma moedinha para que a luz se acenda por um minuto e você possa ver a relíquia. (Não paguei, acho creepy)

Avenida Andrassy + Millennium Underground Budapest

Construída para ligar o centro de Budapeste ao Parque da Cidade, a Avenida Andrassy pode parecer apenas uma avenida normal à primeira vista, com comércio, lojas de grifes, cafés e restaurantes locais e de cadeias internacionais.

Considerada uma obra-prima de planejamento urbano, o transporte público foi proibido para que ela ficasse conservada. E foi daí que nasceu a ideia de construir um sistema de transporte subterrâneo, também conhecido como “o segundo metrô mais antigo do mundo”, somente mais novo que o de Londres.

Além de caminhar pela rua, sugiro que você pegue o metrô da linha M1 (amarela) em alguma de suas estações. Elas estão preservadas desde a sua abertura, em 1896, são pequenininhas, é incrível comparar com as estações de hoje.

Terror Háza (Casa do Terror) 

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Museu Terror Háza. Fonte: Terror Háza.

Até 1956, era nesse edifício que ficavam as autoridades que protegiam o regime comunista na Hungria. O museu, que conta a história sofrida desse período, possui uma curadoria incrível. Minha dica é não pegar o áudio guia, porque o museu já oferece muita informação, televisões nas quais você pode assistir depoimentos e cada sala tem um panfleto que explica um pouco mais.

DIA 2

Géllert Bath 

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Géllert Bath

Não dá para visitar a capital mundial das águas termais e não ir a um bath! Em 80% do solo da Hungria correm águas termais e, só em Budapeste, há mais de 100 fontes dessas águas! As temperaturas dessas fontes variam de 21ºC e 71ºC.

Os principais baths são: Széchenyi Baths, o maior da cidade; Rudas Baths, o mais antigo (de 1550, mas reconstruído em 1566!); Király Baths, de 1565; Császár Baths – Veli Bej, construído em 1570 e hoje todo restaurado; Lukács Baths, vendido como o favorito dos locais; e Gellért Baths, o que nós visitamos!

O Gellért Bath fica anexo ao Hotel e Spa Gellért e, em 2018, completa 100 anos. É conhecido mundialmente por ser um dos mais bonitos baths de Budapeste (e por isso, o mais fotografado).

A experiência de um bath num dia de temperatura próxima a 0ºC é muito singular. Existem piscinas quentes externas, então você sai no frio, quase congela seus pés andando no chão gelado e entra numa piscina de 36ºC.

Percebemos que o procedimento padrão é revezar entre a piscina quente, a sauna e um ofurô de água mais gelada (20ºC), nessa ordem. Esqueçam o que se sabe sobre choque térmico! Aparentemente, quando se trata de banhos termais, isso é o indicado a se fazer.

Almoçamos uma sopinha leve no próprio Gellért e curtimos as piscinas internas, de 36ºC e 40ºC. A arquitetura do lugar é realmente muito bonita, inclusive a parte das cabines de troca de roupa e de massagem, que são bem antigas.

Great Market Hall

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O interior do Great Market Hall.

Saindo do bath no meio da tarde, fomos direto a um dos cinco “mercados públicos” de Budapeste. Esse é o maior deles e tem barraquinhas de frutas, verduras, temperos e açougues no piso térreo e venda de souvenirs e estandes de comida no segundo andar.

Sobre o mercado tenho dois conselhos: deixe para comer o típico Langos (uma massa frita com os toppings que você quiser) em outro momento. O corredor é extremamente apertado e cheio. E segundo: se você procura por produtos típicos húngaros, procure comprar páprica ou Tokaji, um vinho produzido na região de Tokaji-Hegyalja na Hungria (e em um pedacinho da Eslováquia).

Szimpla Kert

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Szimpla Kert. Foto: Rafael Bravo Rojas.

O Szimpla Kert é um dos vários pubs ruínas de Budapeste. A história desses pubs começa na 2ª Guerra Mundial quando os judeus que não tinham sido enviados aos campos de concentração eram forçados a viver isolados do restante da sociedade. Daí criou-se o bairro judeu, de onde eles não podiam sair e viviam em situações precárias, com abastecimento de comida dificultado, por exemplo.

Anos depois, já no século XXI, os prédios abandonados e em ruínas começaram a ser usados para eventos culturais. Em 2004 foi criado o primeiro Szimpla Kert, com a intenção de ser um lugar com bebidas mais baratas e atmosfera mais informal e relaxante. E em 2004 ele se mudou para o lugar onde é hoje, uma antiga fábrica de fogões.

O lugar é grande e o espaço é bem aproveitado com atividades como feirinha de orgânicos, feiras de bicicletas, cinema ao ar livre, mercados de pulga, exposições e outros eventos culturais.

O que mais impressionou é como um lugar que estava para ser demolido pôde se tornar tão interessante com o uso da criatividade. A decoração é indescritível, com objetivos antigos e tralhas por tudo quanto é lado e que tornam o lugar único! Fomos no Szimpla Kert à noite, mas durante o dia ele também funciona, ficamos na vontade de conhecer a feirinha de acontece lá aos domingos!

DIA 3

Castelo de Buda

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A vista incrível do Castelo de Buda.

Nosso último dia em Budapeste começou um pouco mais tarde, já que aproveitamos a noite no Szimpla. Pegamos um ônibus na Andrassy Avenue direto ao Funicular do Castelo de Buda, para subirmos ao Castelo poupando os pés, que ainda usaríamos bastante no restante do dia.

Na fila, tenha cuidado com as pessoas vendendo subida ao Castelo de Buda por outros meios, não testei nenhum deles, mas lá em cima nos museus haviam placas dizendo que o ingresso dos museus não estava incluído no passe dessas empresas, então eu imagino que algumas delas vendem como se estivesse, enganando os turistas.

Lá de cima, você tem uma vista linda da cidade, você pode assistir a troca de guarda de hora em hora e visitar a Galeria Nacional da Hungria e o Museu de História de Budapeste. Os dois últimos precisam de ingresso e, como eu estava interessada em conhecer mais sobre a história da cidade, optamos pelo Museu de História. A exposição permanente intitulada “Light and Shadow: The 1000 years of a capital” conta detalhadamente essa história.

Matthias Church + Fisherman’s Bastion

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Espiando o Parlamento Húngaro pelo Fisherman’s Bastion.

Do lado de Buda, bem próximo ao castelo, fica o Bastião do Pescador e a Igreja de Matias. A visita à Igreja também é cobrada, mas é bem interessante, porque, além de percorrer a parte principal dela, você pode caminhar por outras salas e câmaras e pelas laterais do altar, onde há exposições de algumas relíquias da igreja.

O Bastião do Pescador é um terraço lindo localizado atrás da igreja! Construído entre 1895 e 1902 como parte do processo de comemoração dos 1000 anos do Estado Húngaro, proporciona uma das vistas mais bonitas do Rio Danúbio e do Parlamento Húngaro.

Citadella

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Vista para o Castelo de Buda, Rio Danúbio e Parlamento Húngaro a partir da Citadella.

Devido ao tempo e ao forte vento frio, essa foi uma atração que não pudemos aproveitar como se deve. Subimos a partir da Elisabeth Bridge e descemos pelo outro lado, pela Praça Szent Gellért (em frente ao bath que fomos no dia anterior). A caminhada é bem tranquila e a vista é o tempo todo muito bonita. Com certeza é um programa imperdível em qualquer época do ano, mas acredito que, em dias de temperatura mais amena e sem tanto vento, deve ser muito mais agradável.

A fortaleza, localizada no ponto mais alto de Budapeste, a Colina Géllert, foi construída em 1854 e, durante a 2ª Grande Guerra, foi utilizada como bunker (é possível fazer uma visita nesta parte interna). A estátua, que pode ser vista de quase toda a cidade, é a Liberty Statue ou Freedom Statue (Estátua da Liberdade) e homenageia os que sacrificaram suas vidas pela independência, liberdade e prosperidade da Hungria.

Heroes Square (Praça dos Heróis)

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Praça dos Heróis no pôr do sol.

Em uma das pontas da Avenida Andrassy fica a Praça dos Heróis, cercada pelo Museu de Belas Artes, pelo Palácio da Arte e entrada do Parque da Cidade. No centro da praça está um obelisco que marca os 1000 anos da Hungria com os sete líderes das sete tribos húngaras que fundaram a Hungria em sua base. Entre as outras colunas localizadas na praça estão estátuas de outras personalidades importantes da história do país.

Praça Deak Ferenc

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Praça Deak Ferenc durante a noite.

Depois de passar a noite em outro barzinho na região do bairro judeu, fomos conhecer a Deak Ferenc, a principal praça de Budapest, onde se cruzam três linhas de metrô. Ali fica o Budapest Eye, uma roda gigante de 65 metros de altura, e uma parte subterrânea com bares e baladas.

A praça tem uma iluminação especial de noite, assim como a maioria das atrações em Budapeste, o que aumentou minhas vontades de voltar e poder passear mais por lá durante a noite.

Com as expectativas superadas e de volta em casa, só resta a vontade de voltar em outra época para conhecer outros locais que não couberam nessa visita, como a Ilha Margarida e o Parque da Cidade, por exemplo. Além de claro, repetir tudo que eu adorei e gostaria de aproveitar um pouco mais!

One Reply to “Roteiro: 3 dias em Budapeste”

  1. […] Tcheca, uma viagem um pouco mais longa, 7 horas, mas que custou menos 30 euros ida e volta! E para Budapeste, na Hungria, a quase 9 horas de Munique, que custou menos de 50 euros ida e […]

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